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Reprodução Assistida
Reprodução assistida – A nova ciência pode substituir o papai e a mamãe?

Quando as perguntas das crianças sobre como vieram parar no mundo começam, as respostas já não soam simples. Mas aguardem: vai complicar. 

As promessas da ciência reprodutiva incluem feitos dignos de filmes de ficção científica, que vão de placenta artificial a edição genética de embriões. Uma produção industrial de bebês, que poderá tornar o sexo até mesmo obsoleto. Será?

Reprodução humana: natural ou assistida?

O sistema de seleção natural da espécie humana é um processo intrincado, envolvendo milhares e milhares de reações bioquímicas e divisões celulares, que deixam para trás também milhares de vidas não concretizadas. 

Tente imaginar as chances de um óvulo ser fertilizado por um espermatozóide a cada ciclo menstrual. De cada dez embriões formados no ventre da mulher, apenas um evolui e se torna um bebê. Em ratos, essa taxa é de 90%. 

Óvulos e espermatozóides são células de uma complexidade enorme! São mistérios que as mentes mais brilhantes da ciência estão suando para desvendar. 

Ainda hoje, mesmo com todos os avanços da medicina, em metade dos casos não se consegue detectar com precisão o que leva um casal a não conseguir engravidar.

Mas o progresso na área de reprodução assistida vem acontecendo de forma galopante – e até assustadora. 

“Não tenho dúvidas de que, no futuro, os bebês serão fertilizados em laboratório e crescerão em tubos de ensaio, em condições controladas’’, diz o ginecologista e obstetra Carlos Eduardo Czeresnia, da clínica Célula Mater. 

Muito parecido com o que o inglês Aldous Huxley descreveu em seu livro Admirável Mundo novo, publicado em 1931. Nada de sexo, nem de gravidez, nem de parto.

Reprodução Assistida –  Fertilização in vitro

A Fertilização in vitro, que completou quatro décadas este ano, levou ao nascimento de milhares de crianças saudáveis no mundo todo e, se no início a técnica provocava arrepios em muitos, os medos de malformações nunca se confirmaram. 

Além de ter boas taxas de sucesso, permitindo que casais inférteis realizem o sonho de ter um filho, a Fiv (Fertilização in vitro) hoje traz possibilidades concretas de evitar a passagem de doenças genéticas de pais para filhos.

FIV – Case de sucesso

Recentemente, Czeresnia foi responsável por um desses casos. Um casal, que já tem uma filha com uma enfermidade de origem genética, queria engravidar novamente, mas ambos receavam que o novo bebê também fosse portador da doença. Felizmente, já puderam contar com o chamado diagnóstico pré-implantacional. Trata-se de um exame feito no embrião, capaz de detectar uma série de anomalias antes de implantá-lo no útero da mãe. 

Mas esse casal decidiu dar um passo além. eles sabem que, no futuro, a irmã mais velha irá precisar de um doador de medula 100% compatível – ou seja, alguém que possua um antígeno específico, evitando assim a rejeição do transplante. 

Com isso em mente, enfrentaram algumas tentativas de fertilização até obter um embrião que tivesse também essa particularidade, o processo tomou mais tempo, mas foi bem-sucedido.

Reprodução Assistida –  Técnica Crispr

Enquanto isso já é realidade, nos grandes centros de pesquisa do mundo, os cientistas desenvolvem outras técnicas de fazer cair o queixo. Uma delas é o crispr, uma espécie de tesoura molecular, que seleciona uma parte indesejada do genoma, substituindo-a por outro pedaço de DnA. 

Embora hoje ainda seja um pouco rudimentar, o crispr é considerado uma das novas fronteiras da medicina. ‘‘É a técnica do futuro, vai mudar completamente uma série de problemas genéticos’’, prevê czeresnia.

Reprodução Assistida – Maturação in vitro

Ainda no terreno da fertilização in vitro, há altas apostas em melhorias. Uma delas é a chamada Maturação in vitro, um processo em que os óvulos são captados ainda imaturos e amadurecidos no laboratório.

”Quando fazemos uma captação de óvulos, só conseguimos utilizar alguns – aqueles considerados maduros. Se pudéssemos terminar o amadurecimento em laboratório, conseguiríamos aumentar ainda mais as taxas de sucesso do tratamento”, diz o Dr. Rodrigo Codarin, médico da equipe de Reprodução Humana da Célula Mater.  

Se mais bem desenvolvida, traria o benefício de reduzir a quantidade de hormônios necessária para fazer a captação dos óvulos, diminuindo os possíveis efeitos colaterais do tratamento.

Reprodução Assistida – Transplante de pedaços do ovário

Outra técnica que está sendo estudada com resultados muito promissores, diz o Dr. Rodrigo, é a de transplante de pedaços do ovário. Ao invés de estimular o ovário para a obtenção de óvulos a serem congelados, alguns pesquisadores estão retirando micro pedacinhos dos ovários, congelando-os e reimplantando-os quando a mulher atinge idades mais avançadas. 

Seria esse um jeito de “enganar o corpo”, postergar a fertilidade e atrasar a menopausa, questiona o Dr. Rodrigo. 

Transferência mitocondrial – Método  ‘‘three parent baby’’

Outra técnica que vem sendo estudada é a transferência mitocondrial. Nela, o citoplasma do óvulo de uma mulher é substituído pelo de outra.

‘‘Acredita-se que os óvulos das mulheres mais velhas não se dividem normalmente não porque sejam cromossomicamente anormais, mas porque o mecanismo celular já não funciona bem’’, diz czeresnia.

Já usado há alguns anos, esse artifício foi colocado de lado pelo receio de mudanças no DnA da célula, pois as mitocôndrias contidas no citoplasma da doadora possuem um DnA próprio, que passa a fazer parte da informação genética da criança – e, consequentemente, dos seus descendentes.

Por isso, o método também ficou conhecido como ‘‘three parent baby’’, ou bebê de três pais. Em 2018, ele foi liberado na Inglaterra, como um dos tratamentos de fertilidade recomendados para mulheres que têm doenças específicas nas mitocôndrias.

Reprodução Assistida – Células-tronco

As células-tronco também vêm sendo pesquisadas como alternativas para casais inférteis. ‘‘Antes se acreditava que não existiam células-tronco no ovário. Hoje se sabe que elas existem. Então, em tese, seria possível captá-las e reproduzi-las in vitro para conseguir ovócitos’’, revela Czeresnia. 

Em ratos, pesquisadores já conseguiram transformar células- tronco da pele em células precursoras de óvulos e espermatozóides. Quando implantadas em ratos estéreis, eles se tornaram férteis. 

Algo assim levaria décadas para ser realizado em seres humanos, mas os achados levantam a possibilidade futura de que mulheres que não têm mais óvulos, ou homens que não produzem espermatozóides, poderão fabricá-los a partir de células-tronco.

Reprodução Assistida – Placenta artificial

E para aquelas que sonham em ter filhos, mas não querem os desconfortos da gravidez, do parto e do pós-parto, a inovação, ainda que num futuro distante, é a placenta artificial. 

Dotada de uma tarefa altamente complexa, a placenta deve assegurar a troca de substâncias importantes entre a mãe e o feto, ao mesmo tempo que bloqueia o acesso a outras substâncias. A permeabilidade da placenta ainda é um grande mistério. Mas biólogos da Universidade de Viena conseguiram criar uma barreira placentária artificial, usando um processo de impressão 3D de alta resolução. 

“Há 20 anos, alguém seria considerado louco ao prever que, atualmente, para assistir a um filme na televisão, não precisamos ir a locadora aluga-lo e sim falar o nome do filme para a televisão – considerando a revolução tecnológica pela qual estamos passando, não me espantaria em em alguns anos, a reprodução em laboratório com placenta artificial funcionando como um útero de aluguel, se tornasse de alguma fora realidade” opina o Dr. Rodrigo. 

Quem sabe então, nas civilizações do mundo de Blade Runner, o sexo vá virar apenas, mas não somente, uma forma de recreação.

Infertilidade: uma questão imprevisível

Antever a fertilidade de uma pessoa antes que ela queira ter filhos é complicado. Em primeiro lugar, porque depende da combinação entre os parceiros, mas não só. Os exames disponíveis atualmente têm uma série de limitações. 

No espermograma, a variação de normalidade é muito grande, e isso dificulta a avaliação do que é normal e do que não é’’, explica Czeresnia. 

Nas mulheres, os testes só são capazes de calcular a quantidade de óvulos, e não a qualidade. No entanto, investigar alguns aspectos em pessoas jovens poderia trazer benefícios, dependendo do caso.

‘‘Nos homens, um espermograma pode indicar se vale a pena corrigir a varicocele precocemente, por exemplo’’, diz Czeresnia.  ‘‘Outros artigos sugerem que homens com espermatozoides deficientes deveriam congelar o sêmen ainda jovens, porque a qualidade é melhor’’, revela o médico.

Já para as mulheres, avaliar a reserva dos ovários na juventude poderia indicar pistas dos caminhos a seguir. Se o estoque for baixo, o congelamento de óvulos seria uma opção. 

Além disso, quem tem endometriose – doença muito prevalente nos dias atuais, que tem evolução progressiva e pode interferir na capacidade de engravidar – também poderia se beneficiar do congelamento.

É bom salientar que o uso prolongado de anticoncepcionais hormonais falseia o resultado dos exames, por isso se indicam pelo menos três meses sem eles antes de fazer qualquer avaliação.

Conheça o Dr. Carlos Eduardo Czeresnia

Fundador da Célula Mater, o Dr. Carlos tem 46 anos de medicina, muitas histórias e conhecimentos para compartilhar. É por isso que considera a Célula Mater, de uma certa forma, uma clínica escola, porque quer dividir com os demais médicos os conhecimentos que adquiriu ao longo do tempo. Filho de uma técnica de laboratório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), foi o primeiro bebê a nascer no berçário de funcionários da instituição, onde mais tarde estudou medicina. Desde pequeno já sabia que seria médico, pois sempre se interessou pelos cuidados com pessoas e animais.

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Conheça o Dr. Rodrigo Rocha Codarin

Filho de ginecologistas obstetras, desde pequeno o Dr. Rodrigo acompanhava os pais a visitas em hospitais. Com essa experiência, sempre soube que queria ser médico e entrou na faculdade de medicina aos 16 anos.

Atuou como plantonista nas maiores maternidades e tomou conhecimento dos obstáculos apresentados pela obstetrícia. Ao longo dos 16 anos de carreira, buscou atuar nos casos mais difíceis, sem fugir de desafios, realizando atendimentos de maneira humanizada.

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