Doenças femininas

Existem diversas doenças que atingem as mulheres ao longo de suas vidas e que podem ser diagnosticadas e, muitas vezes, tratadas pelo médico ginecologista. Elas estão relacionadas às alterações hormonais das pacientes, genética, hábitos cotidianos, entre outros aspectos que devem ser acompanhados por este especialista.

Osteoporose

A osteoporose é uma doença silenciosa, que afeta principalmente mulheres após a menopausa. Por esse motivo, é fundamental estarmos atentos para os sinais dessa condição, que podem levar a fraturas espontâneas ou associadas a pequenos traumas. Trata-se de uma condição metabólica, em que começa a haver perda óssea, tanto pela quantidade quanto pela qualidade do osso, que se torna mais poroso e menos resistente.

Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento da doença: histórico familiar, deficiência na produção de hormônios, medicamentos à base de corticoide, heparina e anticonvulsivantes, alimentação deficiente em cálcio e vitamina D, baixa exposição ao sol, imobilização e repouso prolongados, sedentarismo, tabagismo, alto consumo de álcool, alguns tipos de câncer ou doenças reumatológicas, endócrinas e hepáticas. Mulheres de pele branca, baixas e magras, além de asiáticos também estão mais suscetíveis ao problema.

Os principais métodos de diagnóstico são a densitometria óssea e a osteossonografia. É importante determinar a causa e buscar fatores adjacentes que podem estar piorando a condição do osso, como apresentado acima. A partir desse momento, o tratamento é individualizado e pode ser realizado por meio de um conjunto de medidas, dependendo do caso, como reposição hormonal, mudança de hábitos de vida, com aumento de atividade física, alimentação rica em cálcio, suplementação de vitamina D e medicação específica, como os bisfosfonados, raloxifeno, ácido zoledrônico e teriparatida.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Antes de mais nada, é importante diferenciar ovários policísticos ou cistos nos ovários da síndrome dos ovários policísticos (SOP). O primeiro caso é muito frequente, especialmente entre adolescentes e mulheres jovens. Já a SOP acontece quando aparecem dois dos três critérios a seguir: ovários policísticos no ultrassom, ausência crônica de ovulação/distúrbios menstruais e excesso de hormônios masculinos — isso pode se manifestar com a presença de pelo em excesso em localização atípica, espinhas, pele e cabelos oleosos. Exames laboratoriais também podem indicar taxas mais altas de testosterona ou outros androgênios. Além disso, é necessário excluir outras causas endocrinológicas para esses distúrbios.

Pode ocorrer também queda capilar (alopecia), aumento de peso e resistência insulínica. Por esses motivos, é fundamental uma avaliação ginecológica criteriosa e tratamento adequado para cada paciente. Geralmente, indicamos pílula anticoncepcional. Mas se a mulher apresentar outras condições, como níveis elevados de insulina, conhecida como hiperinsulinemia, esse problema também precisará ser levado em conta. Isso porque trata-se de outra causa de infertilidade, que pode ser inicialmente tratada com indutores de ovulação.

Endometriose

A endometriose vem à tona quando o endométrio, tecido que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo. O problema é muito prevalente, afetando de 10 a 15% das mulheres, especialmente durante a idade reprodutiva.

Cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor no ato sexual (dispareunia) são alguns de seus sintomas. Em determinados casos pode afetar o intestino, a bexiga e o trato urinário, chegando a provocar sangramento. É uma importante causa de infertilidade na mulher.

Miomas

Os miomas são os tumores mais frequentes do trato genital feminino, acometendo até 70% das mulheres em idade reprodutiva, especialmente entre 30 e 50 anos. Sua ocorrência tende a diminuir após a menopausa e são incomuns em pacientes mais jovens.

Fibroma, fibromioma ou leiomioma são outras de suas denominações. O mioma é uma condição benigna que raramente apresenta malignização (sarcoma uterino). Acontece por meio de uma proliferação benigna de uma das camadas do útero chamada miométrio, a parte muscular do órgão. Essa proliferação é provavelmente desencadeada pelo estímulo hormonal do estrogênio e progesterona, que em algum momento sofrem desbalanço.

Apesar de ser uma condição benigna e frequente, os miomas podem causar desconforto para algumas mulheres, principalmente por apresentarem sangramentos excessivos durante a menstruação (hipermenorragia), sensação dolorosa, aumento do volume abdominal, sensação de peso pélvico, dor na relação sexual e, mais raramente, infertilidade. No entanto, a maioria das pacientes não tem sintomas e o mioma é um achado de exame. O tratamento é cirúrgico, porém pode haver alívio dos sintomas com medicamentos específicos.

Sangramento Uterino Anormal

O sangramento uterino anormal (SUA) é como chamamos as alterações de aumento no volume, na duração ou na frequência da menstruação. O SUA tem grande importância pela alta prevalência e por perturbar o dia a dia da mulher, afetando-a em aspectos físicos e emocionais, o que piora sua qualidade de vida.

Pólipos no endométrio, miomas ou tumores malignos podem estar por trás desse aumento de sangramento. Distúrbios ovulatórios e alterações endometriais são outras causas. O especialista indica o tratamento de acordo com o que provoca o SUA.

Corrimentos ou Leucorreia

Corrimento é o principal sintoma de uma inflamação ou infecção na vagina. Também denominado de leucorreia, ele pode acometer a mulher em qualquer idade e estar acompanhado de prurido (coceira), ardor ou dor nas relações sexuais. São as chamadas vulvovaginites. Muitas mulheres desenvolverão algum sintoma ao longo de suas vidas.

Embora numerosos fatores físicos, químicos e imunológicos possam atuar como predisponentes, modificando o equilíbrio natural da vagina, na maioria dos casos está presente um agente microbiano. Assim, a paciente deverá consultar um médico antes de iniciar qualquer tipo de procedimento terapêutico. Além disso, é preciso verificar se o parceiro sexual também necessita recorrer a um especialista, apesar de muitas vezes não apresentar qualquer sintoma evidente.

O corrimento patológico tem tratamento, que deve ser realizado de forma adequada e individualizada. Além disso, uma série de medidas podem ser tomadas para minimizar o fluxo de secreção vaginal.

Em outros casos, é o que se chama de corrimento fisiológico, resultando da lubrificação natural da vagina, colo do útero e útero, além da descamação das células. Ele é muito frequente em mulheres jovens e nas grávidas.

Candidíase de Repetição

A candidíase é o corrimento comum, sendo que cerca de 75% das mulheres terão pelo menos uma vez ao longo da vida. A de repetição (mais de quatro episódios por ano) acomete cerca de 5% da população feminina. O exame clínico é importante para poder distinguir a candidíase de outras condições, como a vaginose citolítica, que apresenta sintomas parecidos.

A candidíase é causada por um fungo, chamado cândida e que tem diferentes espécies. Sua identificação nesses casos é fundamental porque algumas espécies são resistentes aos antifúngicos tradicionais.

Existem diversos fatores que podem estar relacionados com a candidíase de repetição e nem sempre é possível estabelecer a causa das infecções recorrentes, mas estresse, alimentação, doenças crônicas como diabetes podem ter impacto na constância do problema.

Cólica menstrual

Também conhecida como dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais comuns, especialmente entre adolescentes — até 90% das meninas podem apresentar esse desconforto. A dor se divide ainda entre dismenorreia primária, que é a cólica menstrual que surge sem que haja alguma causa orgânica por trás, e secundária, a provocada por doenças ginecológicas, como endometriose, miomas ou infecções.

A cólica é geralmente tratável e melhora com remédios que dão cabo dos sintomas. Outras vezes, há prejuízo na qualidade de vida, inclusive com perda de dias de aula e desconforto físico e psicológico envolvido. Nesses casos, a consulta com um ginecologista é importante. A cólica tende a melhorar à medida que as mulheres amadurecem.

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