Se você sentiu que engordou sem mudar nada, não é impressão. Acontece com ao menos metade das mulheres, e tem um motivo fisiológico que não tem nada a ver com força de vontade.
Na menopausa, o corpo muda as regras.
O metabolismo basal — a energia que o corpo gasta só para existir, respirar, o coração bater, o cérebro funcionar — cai de 20 a 30%. Ou seja: o organismo passa a precisar de bem menos calorias do que antes. O mesmo prato de sempre passa a pesar diferente.
E muda também onde a gordura se instala. Com a queda do estrogênio, ela sai da periferia e se concentra no centro do corpo – ou seja, na barriga. Ali ela fica mais disponível. E embora isso não pareça nada bom, há uma explicação: nessa fase, o cérebro muda de combustível.
Durante a vida toda, o cérebro funciona movido a glicose, o açúcar dos alimentos. Ele é pequeno, mas voraz — consome cerca de 20% de toda a energia do corpo. Com a queda do estrogênio, passa a usar esse açúcar de forma menos eficiente e por isso aprende a recorrer também à gordura como fonte de energia. A solução é deixar a gordura mais à mão.
Ou seja, não é um defeito. É uma adaptação inteligente.
Emagrecer é mais do que uma questão estética
O excesso de peso sobrecarrega fígado, coração, rins e articulações — reduzi-lo diminui o risco de diabetes e de eventos cardiovasculares. A gordura acumulada também mantém o corpo num estado inflamatório de fundo — e é essa inflamação crônica que, com o tempo, cobra caro do coração, do cérebro e da longevidade. Nesse cenário, o uso das canetas é não só válido: é benéfico.
Na região genital, a perda de peso traz ganhos: alivia a pressão sobre o assoalho pélvico, o que ajuda em prolapsos e incontinência urinária de esforço. Mas há um cuidado que acompanha o emagrecimento nessa fase — sobretudo quando é rápido e acentuado.
O que vem junto quando se perde peso rápido demais.
Lembra que o cérebro passou a contar com a gordura como fonte de energia? Daí que emagrecer rápido demais pode, em algumas mulheres, mexer com o humor e o bem-estar — mais irritabilidade, mais oscilação.
Além disso, nessa fase a gordura também funciona como uma reserva de hormônios femininos. Quando ela diminui de forma muito acentuada, esse nível hormonal cai junto. Como a perda do peso acontece no corpo todo, ela atinge também a região genital. Daí que algumas mulheres podem sentir:
— ressecamento e menos lubrificação
— desconforto nas relações
— ardor ao urinar, mais frequência, urgência
— mais infecções urinárias, sobretudo após a relação sexual
São sintomas de atrofia genito-urinária. Se a mulher já estiver na faixa da menopausa, fica difícil separar o que é efeito da caneta e o que é a própria queda hormonal — os dois se sobrepõem.
Por isso, perder peso muito rápido, sem acompanhamento, pode afetar o bem-estar em algumas mulheres. Não é motivo para temer a medicação. É motivo para usá-la com cuidado e acompanhamento, e não como atalho isolado.
O exercício deixa de ser opcional
A queda do metabolismo na menopausa está ligada a vários fatores. Um deles é a diminuição da massa muscular. E por isso atividade física vira prioridade. Os ganhos da prática regular de exercícios não tem só a ver com peso — e sim com a autonomia. Músculos fortes permitem mobilidade, evitam quedas, que evitam fraturas. É isso que define como você chega aos 80, aos 90. Por que não basta chegar lá: é preciso chegar com qualidade.
Mas atenção: especialmente nessa fase e por todos os motivos que já citamos, não vale o “exerciciozinho”. Vale o movimento de verdade, diário. Pense menos em balança e mais em longevidade.
O que isso significa na prática?
A ciência ainda está construindo as respostas sobre as canetas emagrecedoras — no balanço geral, para muitas mulheres, os ganhos cardiovasculares e metabólicos superam as preocupações. O ponto não é evitar, mas sim acompanhar com um olhar global – não apenas estético, mas levando em consideração a saúde em geral, incluindo a saúde sexual e genital. E sempre com atenção individualizada – porque cada corpo responde de um jeito. Conhecer o seu é o que permite cuidar dele bem.
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